Le roman “ 14 ” de Jean Echenoz

por Robson Adriano


Jean Echenoz nasceu em Orange, no sul da França. Em Paris, estudou engenharia e sociologia e, em seguida, trabalhou por um curto período como jornalista. Echenoz teve sua estreia literária, em 1979, com o romance Le Méridien de Greenwich publicado pela editora Les Éditions de Minuit, pela qual recebeu o Prix Fénéon. Desde então, publicou outros doze romances, entre os quais Cherokee (Prix Médicis) e Je m’en vais (Prix Goncourt). Além de volumes de prosas como L’Occupation des sols, Jérôme Lindon e Caprice de la reine. Há também livros publicados em Portugal: Um ano, e Vou-me embora (Terramar), As grandes louras e A ocupação dos solos (Ambar). Ravel destacou-se pela crítica francesa como uma das mais importantes obras literárias publicadas em 2006.


Le roman "14"

Um romance curto, de 125 páginas, e ainda uma longa história de emoções que começa com um passeio tranquilo de Anthime, o personagem central, e apresenta o tema da Primeira Guerra Mundial, através das histórias individuais de cinco amigos e uma mulher, em direção ao front sem ter a menor ideia do que os espera.


"14" foi um grande sucesso quando lançado, em 2012. Vendeu mais de 20 mil exemplares em sua primeira semana nas livrarias. Num estilo próprio e contrário a toda ênfase sentimental ou épica, Echenoz relata o conflito que escreveu a história do século XX sob a visão de pessoas comuns sentindo-se abandonadas e lutando pela sobrevivência em meio ao período de tristeza e de desespero da Guerra.


Era uma tarde de sábado como qualquer outra, Anthime pega sua bicicleta. Ele segura um livro "grande demais para seu porta-malas de arame, sob uma corda elástica", sobe uma colina como um dançarino, apenas uma colina de Vendée, da qual ele tem uma vista completa das aldeias onde está localizada. Uma ventania o surpreende, perturbando a serenidade do momento e cobrindo todos os outros ruídos. São quatro horas da tarde e a cena é bucólica e ensolarada logo tomará outro rumo: estamos em 2 de agosto de 1914, dia da mobilização geral numa França que se precipita para a guerra. Não tardará para que Anthime, Charles, Blanche, Padioleau, Bossis, Arsenal e tantos outros sejam tragados pela guerra mundial que então começava. Não damos atenção e nos recusamos a acreditar e então a guerra está lá, mesmo que seja um sábado lindo de uma tarde de agosto. Os homens vão confiantes, as mulheres ficam à espera, uns e outros supondo que tudo isso é “coisa de quinze dias, no máximo”: o tempo de ir a Berlim, dar uma boa lição ao imperador Guilherme e voltar para casa, na Vendeia rural. Não será assim, e é desse divórcio entre a euforia dos primeiros tempos e o horror das trincheiras que nasce 14, novo romance do escritor francês Jean Echenoz.


Num estilo avesso a toda ênfase sentimental ou épica, Echenoz revisita o conflito que definiu os rumos do século XX a partir da perspectiva da gente comum, da carne de canhão quase anônima que se viu entregue à própria sorte, fosse para sobreviver à longa matança, fosse para recomeçar a vida, um dia.


“14” é uma obra prima perfeita, pois nos deixa com a impressão de termos devorado um romance enorme. Existem cenas inesquecíveis, sejam íntimas ou de violência, mas também uma obra de vida, fraternidade, compaixão e sede de liberdade que não são influenciadas pela atrocidade, além de ter um final surpreendente.


Entrevista com Jean Echenoz sobre seu romance “14”




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