Simone de Beauvoir: Tous les hommes sont mortels

Atualizado: Abr 19

por Robson Adriano

Simone Lucie Ernestine de Marie Bertrand de Beauvoir nasceu em Paris, no dia 9 de janeiro de 1908. Escritora, filósofa existencialista, memorialista e feminista, considerada uma das maiores representantes do existencialismo na França. Estudou no Institut Adeline Désir, uma escola católica para meninas, e em 1925, ingressou no curso de matemática do instituto Católico de Paris. Em seguida, no curso de literatura de línguas no Institut Sainte-Marie. Também estudou filosofia na Universidade de Sorbonne, onde teve contato com outros intelectuais como René Maheu e Jean-Paul Sartre, com quem manteve um longo e polêmico relacionamento.


Beauvoir é considerada um símbolo do feminismo com a obra Le deuxième Sexe (1949), o principal livro da escritora, que representou uma desconstrução para os padrões impostos pela sociedade e pela Igreja da época. A obra alcançou repercussão internacional e marcou toda uma geração interessada, como a autora, na abolição das questões ligadas à opressão feminina em busca da independência da mulher diante da sociedade, com importantes reflexões sobre o existencialismo e a desigualdade entre homens e mulheres.


Resumo de Tous les hommes sont mortels

“Se nos oferecessem imortalidade na terra, quem aceitaria esse árduo presente? Pergunta Jean-Jacques Rousseau em Émile. Este livro é a história de um homem que aceitou”.

O livro Tous les hommes sont mortels (1946) conta a história de Fosca, rei de Carmona, personagem nascido no ano de 1279 (séc. XIII) que, em uma situação de ameaça dos genoveses, bebe a poção da imortalidade e compreende, assim, a maldição de ser condenado a viver para sempre.

A história se apresenta pelo foco narrativo em primeira e terceira pessoa, e nos descreve a personagem Regina, numa narrativa que se mistura com monólogos indiretos, mas é através dela que conheceremos o rei Fosca. Entorno dos dois personagens é que se desenvolve o enredo. O narrador deixa claro o anseio de Regina pela imortalidade, assim como as obrigações do rei Fosca, que desenvolve uma capacidade de ouvir vozes e conselhos de sabedoria que o acompanharão durante o romance…

A obra é feita por personagens redondos e uma narrativa miscigenada - ora em terceira pessoa, ora em primeira. Ela é preenchida de monólogos interiores e lembranças. É grandiosa e oferece ao leitor momentos de intensa reflexão ao desestabilizar conceitos que, observados superficialmente, parecem óbvios, mas não são.

Existe realmente a vitória ou já nascemos todos derrotados? Este e muitos outros temas oscilam dentro de nós durante a leitura da obra de Simone de Beauvoir, porque a história nos dá a visão da imortalidade não através de um mortal, que tanto a desejaria (pois se assim fosse, nada de novo traria à narrativa); mas sim através de um imortal, levando o leitor a analisar de maneira mais cuidadosa e delicada os muitos assuntos apresentados, afinal, a imortalidade pode não ser tão boa quanto parece.


Frases da escritora:

- "Viver é envelhecer, nada mais."

- "Querer ser livre é também querer livres os outros."

- "O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos."

- "Nada, portanto, nos limitava, nada nos defina, nada nos sujeitava, nossa ligação com o mundo, nós é que as criamos, a liberdade era nossa própria substância."


Algumas das obras de Beauvoir:

  • Le deuxième Sexe

  • Les Mandarins

  • Mémoires d’une jeune fille rangée

  • Une morte très douce

  • Tout compte fait

  • La force de l’âge


Simone de Beauvoir - Interview Radio France

Qui était Simone de Beauvoir? Archive INA





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